Voo por Instrumento ou Voo Visual? Entenda a diferença!

No caminho do trabalho, de manhã, em meio àquela chuva fina de segunda-feira, você ouve na rádio que o aeroporto reabriu para pouso e decolagem apenas por instrumento. Você se pergunta: afinal, o que é pouso por instrumento? Existe algum pouso sem instrumento?

Tudo questão de nomenclatura. Vamos falar sobre duas modalidades de voo diferentes: o VFR e o IFR:

Aeronave em voo sobre o litoral carioca (Foto: Fábio Maciel)

Aeronave em voo (regra visual) sobre o litoral carioca (Foto: Fábio Maciel)

1 – VFR (Visual Flight Rules): no linguajar comum, “voo visual”

Em linhas gerais, o “voo visual” ocorre quando o piloto tem completa visualização do que está do lado de fora do avião e se orienta por referências visuais externas: estradas, lagos , baías, praias, litoral, morros, colinas, plantações, cidades, etc. Grosso modo, depois de traçar a rota num mapa VFR (foto abaixo), o piloto voa, ponto a ponto, orientando-se pelas referências visuais externas à aeronave. Nessas condições, o piloto é o responsável pela condução do voo e cabe a ele manter distância segura de outras aeronaves, bem como livrar os eventuais obstáculos à sua frente.

Voos sob regras visuais ocorrem, em geral, em altitudes baixas (até cerca de 3 mil metros de altitude) onde ainda há uma boa visualização do solo. Na maioria dos casos, são aeronaves de menor porte, como aviões turboélices, embora, nada impeça um jato com centenas de passageiros de voar VFR quando as condições climáticas assim o permitirem.

Por fim, apesar de não serem voos controlados, o piloto pode interagir com órgãos de controle para obter informações generalizadas como: predominância dos ventos, condições meteorológicas, situação dos aeroportos, pistas em uso, dentre outras, quando voar sob regiões de atuação desses centros.

Decolagem do Aeroporto de Guarulhos (Foto: Fábio Maciel)

Decolagem do Aeroporto de Guarulhos (Foto: Fábio Maciel)

 

2 – IFR (Instrument Flight Rules): o chamado “voo por instrumentos”

Já no chamado voo por instrumento (IFR), ao invés de referências visuais, o piloto se baseia nos computadores de bordo da própria aeronave, que vão muito além de uma bússola ou altímetro. São instrumentos que “conversam” com outros receptores/emissores localizados no solo ou em satélites e orientam as aeronaves no ar, como no caso do voo em piloto automático ou da orientação espacial, via VHF, de auxílios de navegação aérea. Nesse caso a aeronave e o piloto, além de habilitados para o voo VFR, hão de estar habilitados para o voo IFR. Continue reading

Até 2016, todas aerovias (espaço aéreo superior) estarão operando RNAV. Entenda os benefícios!

Um importante marco na evolução da transição das aerovias brasileiras do sistema convencional – baseado em auxílios de navegação em solo, via ondas de rádio – para as rotas RNAV (navegação por área) –  orientadas a partir de satélites e sistemas digitais de bordo – está previsto para o ano que vem. Até o final de 2016, todas as chamadas “aerovias de alta”, acima de 24.500 pés (7.468 metros), geralmente usadas pela aviação comercial (cias aéreas) na etapa de voo de cruzeiro, operarão em RNAV.

A tecnologia vem sendo implementada já há algum tempo no País e é parte do pacote de recursos da Navegação Baseada em Performance (PBN, Performance Based Navigation), que também vem  sendo implementada nas áreas de terminais aéreas, sob a modalidade RNP – Required Navigation Performance (vide vídeo). Sua consolidação na totalidade do espaço aéreo superior do País representa um marco simbólico para a navegação aérea brasileira, inclusive no contexto da aviação mundial.

Com o RNAV, as aeronaves seguem trajetórias de voo mais curtas e diretas; não precisam zigue-zaguear entre auxílios baseados em solo para alcançar seus destinos. Elas são orientadas por meio de satélites e outros recursos digitais, que as auxiliam a manter o curso na demarcação planejada, considerando a navegação aérea  ponto a ponto e não somente a interceptação de radiais e magnéticas.

Divisão vertical do espaço aéreo brasileiro no que diz respeito às aerovias (Arte: Fábio Maciel)

Divisão vertical do espaço aéreo brasileiro no que diz respeito às aerovias (Arte: Fábio Maciel)

Assista ao vídeo em destaque e entenda as diferenças entre as rotas convencionais e as rotas RNAV, bem como os demais recursos da Navegação Baseada em Performance.

 

Daniel Marinho
Jornalista

Highways do céu: por dentro do fantástico mundo das Aerovias

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Ilustração simbólica do fluxo aéreo de parte da América Latina. (SAC-PR)

Olhe agora para o céu. Quantos aviões você vê? Nove chances em dez de que não viu rastro de turbina algum. A menos que more perto de algum aeroporto, heliponto, aeroclube… Certo? Não exatamente. “Há mais aviões entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”, diria Hamlet, se fosse controlador de tráfego aéreo do Reino da Dinamarca.

Não que estejam à vista. Uns, descendo por aqui, outros, decolando ali, mas muitos, muitos mesmo, podem estar bem em cima do seu café expresso. Só que a mais de dez quilômetros de altura.  Camuflados pelas nuvens, na maioria das vezes, percorrem traçados difusos no espaço. Sobrevoam o céu em rodovias virtuais que se entrelaçam num complexo de teias hermeticamente coordenadas, por onde cruzam itinerários aéreos extremamente precisos.

São as chamadas aerovias. Rotas sobre as quais objetos mais pesados que o ar riscam o espaço aéreo diariamente, levando consigo, só no Brasil, mais de 100 milhões de pessoas por ano.

Mas afinal, como funcionam essas estradas invisíveis do céu? Onde encontrá-las? Em que altura? Quem as controla? Como saber a rota que o piloto escolheu no seu próximo voo da ponte aérea?


Vídeo simula fluxo aéreo sobre as principais aerovias europeias.

Antes de tudo, vamos às definições. Conforme descreve, tecnicamente, a Instrução do Comando da Aeronáutica 100-37, uma aerovia é toda área de controle, ou parte dela, disposta em forma de corredor. Para uma assimilação mais genérica, podemos dizer que uma aerovia é uma trajetória Continue reading

Tira-teima SobreVoo: Aeródromos

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Terminal de Passageiros do Aeroporto de Congonhas (Foto: Fábio Maciel)

O transporte aéreo é aquele tipo de atividade que impacta direta ou indiretamente na vida de milhões de pessoas no mundo. Um voo a trabalho, uma viagem de férias ou até mesmo o voo das aeronaves na vizinhança de um aeródromo terminam por virar assunto do cotidiano. É aí que recorrentemente quem não está acostumado com os termos técnicos, ou mesmo jargões da atividade, termina por usar um termo querendo dizer outro sem o saber.

Compreensível, já que ninguém precisa ser especialista em transporte aéreo para conversar a respeito dele. Esse post é o primeiro de muitos que tem por intuito lançar mão de alguns destes, digamos, “falsos cognatos da aviação”, para entendermos melhor seus significados e suas diferenças. Para começar, vamos até onde tudo começa: aos aeródromos.

 

Aeródromo ou Aeroporto ?

 

Aeródromo é um termo bem mais abrangente do que aeroporto. É simplesmente toda e qualquer área (pista) destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves. Isso em meio terrestre ou mesmo aquático. Basta haver uma pista de pouso e decolagem com os requisitos técnicos mínimos exigidos pelas autoridades reguladoras e temos um aeródromo.

Já o aeroporto, por outro lado, é um aeródromo bem mais estruturado. Dotado de instalações, infraestrutura e pessoal para o embarque e desembarque em aeronaves de pessoas e cargas. Um terminal de passageiros, por exemplo.

Assim, todo aeroporto é necessariamente um aeródromo também. Mas nem todo aeródromo é um aeroporto, certo?

 

E os heliportos?

A mesma lógica se aplica no caso de helipontos e heliportos. Enquanto o primeiro (heliponto) refere-se a toda e qualquer área homologada e demarcada oficialmente para o pouso e decolagem de helicópteros, o heliporto é o local com estrutura de apoio aos passageiros e a aeronave (venda de combustível, bombeiros, salas de embarque, etc). Mais uma vez: nem todo heliponto é um heliporto. Mas todo heliporto haverá de ser um heliponto.

 

Tipos de Aeródromos

 

Aeronave taxiando no Aeroporto do Galeão (Foto: Luis Eduardo Perez)

Aeronave taxiando no Aeroporto Internacional Rio Galeão. Embora recentemente concedido à iniciativa privada, é um exemplo de aeródromo público (Foto: Luis Eduardo Perez)

 

Os aeródromos podem ser classificados em civis , quando destinados a aeronaves civis, e militares, quando destinados a operações militares (as Bases Aéreas, por exemplo).

Há porém, Continue reading

Você sabia que há limites de altura para edificações próximas a aeroportos?

Entenda os Planos Básicos de Zona de Proteção de Aeródromo

 

O espaço aéreo ao redor de um aeroporto não é um lugar qualquer. É lá que todos os dias máquinas voadoras mais pesadas que o ar sobem e descem trazendo consigo centenas de vidas humanas. Um espaço aéreo que não se restringe à beira da pista de pouso e decolagem. Para aterrissar ou decolar uma avião, por exemplo,o piloto precisa efetuar complexos procedimentos de navegação aérea ainda a quilômetros de distância do aeroporto. 

Assim, manobras de voo abrangem uma região bem mais ampla do que se imagina. Abarcam, além de todo o complexo aeroportuário, grande porção do espaço aéreo vizinho, por onde circulam, residem e moram milhares de pessoas.

Para garantir a segurança dessas milhares de vidas nos arredores dos aeroportos, bem como dos passageiros nas operações de pouso e decolagem, apartando-os de obstáculos e riscos desnecessários, a legislação aérea brasileira prevê um instrumento de suma importância: o Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo.  Continue reading