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Tecnologia a serviço da Busca e Salvamento

Em 2018, do total de 2.294 casos registrados, 2.278 foram resolvidos nas buscas por comunicações e 16 envolveram operações SAR com o emprego de 437 horas de voo


publicado: 25/06/2019 13:57

 




O relógio dispara quando ocorre um acidente aeronáutico. Em terra ou no mar, cada minuto é fundamental para a missão de busca e salvamento. Nesse cenário, uma complexa operação é montada pela Força Aérea Brasileira (FAB) para localizar e resgatar, no menor tempo possível, os sobreviventes.



Por trás de toda operação para encontrar e resgatar vidas, existe um intenso trabalho de bastidores que envolve uma rede integrada que monitora possíveis incidentes 24 horas por dia. Cabe ao Centro Brasileiro de Controle de Missão (BRMCC), localizado no Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília (DF), verificar o sinal de alerta e transmiti-los aos Centros de Coordenação de Salvamento Aeronáutico (SALVAERO) situados em Brasília, Curitiba (PR), Recife (PE) e Manaus (AM) - e/ou Marítimo (SALVAMAR), que assumem a missão de prestar o Serviço de Busca e Salvamento.

“O SALVAERO tem a responsabilidade de investigar e coordenar operações SAR em sua respectiva área de jurisdição por meio de dados recebidos do BRMCC, órgãos de controle de tráfego aéreo ou por demanda do público em geral”, afirmou o operador do SALVAERO Brasília, Sargento Adriano Queiroz da Silva Júnior.

Após o acionamento de todo esse sistema, podem ser acionados aeronaves, embarcações e grupos de solo para a missão de busca e salvamento. Até o momento, cerca de 35 mil vidas foram salvas graças ao Sistema de Busca e Salvamento por Rastreamento de Satélites (COSPAS-SARSAT).

“A rapidez na distribuição e na precisão das informações dos alertas, oriundos de aeronaves ou embarcações, que são recebidos pelo sistema COSPAS-SARSAT, são determinantes para que os Centros de Coordenação e Salvamento cumpram a sua missão e possam localizar e resgatar o mais rápido possível os sobreviventes”, explicou o Suboficial João Alexandre Porto, supervisor do BRMCC.

Dados do Anuário SAR 2018

O Brasil registrou cerca de seis casos SAR (sigla do inglês Search and Rescue – Busca e Salvamento) por dia em 2018. Os números constam no Anuário SAR 2018 elaborado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e referem-se  aos casos com a participação da Força Aérea Brasileira.

O relatório aponta ainda que 56 vítimas foram resgatadas, sendo 29 sobreviventes. Outras 16 receberam algum tipo de assistência do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico Brasileiro (SISSAR). Os dados apontam também que, no ano passado, 5 aeronaves e 2 embarcações foram localizadas.

Do total de 2.294 casos registrados, 2.278 foram resolvidos nas buscas por comunicações e 16 envolveram operações de buscas com o emprego de 437 horas de voo ao longo do ano.

Outro fator frequente responsável por esses números são os acionamentos equivocados das balizas de emergência (Transmissores Localizadores de Emergência – ELT e EPIRB), equipamentos embarcados na grande maioria das aeronaves e embarcações que são acionados em casos de emergência por uma ação voluntária ou por um impacto sofrido. O sinal captado por satélites é transmitido aos SALVAEROS através do BRMCC.

Sistema INFOSAR

De acordo com o chefe do BRMCC, Tenente Engenheiro Ronan Souza Freitas, os proprietários de aeronaves e embarcações que possuem balizas de emergência  ELT e EPIRB ou localizadores pessoais (PLB) devem fazer o cadastro das balizas pelo sistema INFOSAR, um serviço simples, rápido e gratuito. "Desde janeiro de 2016, quando o sistema entrou em funcionamento, cerca de 4.000 usuários registraram suas balizas. Quando o equipamento está cadastrado, rapidamente é identificada a natureza do sinal transmitido, e por meio de uma ligação telefônica, agilizamos o envio dos recursos de salvamento, quando se trata de acionamento real”, disse.

O Brasil ocupa destaque no cenário internacional do programa, embora enfrente o obstáculo cultural dos falsos alertas. Em 2018, o sistema COSPAS-SARSAT recebeu 1.528 sinais de alerta. Desses, 99% eram falsos.

Segundo o Tenente Ronan, os sinais falsos são muito comuns devido aos testes nos equipamentos e acionamentos não intencionais. “Por causa desta elevada taxa de falso alerta, os SALVAEROS são obrigados a investigar cada sinal de emergência, antes de deslocar as equipes de busca e salvamento”, revelou o oficial.

O DECEA tem priorizado o trabalho de conscientização através de campanhas de divulgação para destacar a importância do registro das balizas pelos proprietários de aeronaves e embarcações. “Quanto mais rápido receber o sinal, localizar o objeto de busca, maior será a nossa chance de salvar vidas”, afirmou o chefe do BRMCC.

Investimento em tecnologia

O DECEA utiliza dois tipos de satélites: o LEOSAR e o GEOSAR - que captam e retransmitem o alerta. Ambos trabalham de forma complementar. Enquanto o primeiro localiza o sinal de emergência, o segundo tem maior agilidade na recepção do alerta.

Já o sistema MEOSAR emprega satélites com órbitas médias e capacidade de procurar por sinais de emergência em um raio muito maior, isso em comparação com os satélites de órbita polar baixa (LEOSAR).

De acordo com o chefe da Seção de Coordenação e Controle de Busca e Salvamento do DECEA, Capitão Aviador Michell Iorio Boareto, o processo de comissionamento dos sistemas LGM (Leosar – Geosar – Meosar) do BRMCC deverá ser habilitado até o final deste ano. “Como resultado, teremos um salto de qualidade na precisão e na diminuição do tempo da localização da posição, contribuindo diretamente para a economia e eficiência do emprego dos meios SAR em atendimento às emergências”, pontuou o oficial.

Atualmente, as antenas brasileiras proporcionam uma área de cobertura cujo raio é de 4.000 Km, tornando-se assim o sistema com a maior cobertura operacional do mundo. Todos esses esforços combinados resultam em uma estrutura capaz de fazer frente aos desafios que se apresentam diariamente ao Serviço SAR Aeronáutico.

 

Assessoria de Comunicação Social do DECEA

Reportagem: Denise Fontes

Fotos: Fábio Maciel (DECEA) e Raimundo Carvalho (CINDACTA I)

Assunto(s): Busca e Salvamento