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Prêmio Controle do Espaço Aéreo é entregue em solenidade em Guaratinguetá

publicado: 28/06/2018 15:44

 





Na última semana, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) fez a entrega do Prêmio Controle do Espaço Aéreo em cerimônia militar na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), em Guaratinguetá (SP). A condecoração foi entregue um dia antes da formatura, no dia 21 de junho. 


Estabelecido em 2009, o prêmio é concedido aos formandos do Curso de Formação de Sargentos (Modalidade Especial) e do Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento, todos da Escola de Especialistas.

A condecoração é entregue nas solenidades de formatura realizadas no primeiro e segundo semestres. Concorreram ao prêmio alunos da 246° Turma do Curso de Formação de Sargentos (CFS), nas especialidades Comunicações (BCO), Controle de Tráfego Aéreo (BCT), Informações Aeronáuticas (SAI) e Meteorologia (BMT).

No período da tarde foram entregues no auditório do Centro de Treinamento de Especialistas: Distintivos, Premiações e Homenagens ao Patrono – 2º Tenente Danilo Moura, que destacou-se como piloto de combate durante a 2° Guerra Mundial – e ao Paraninfo, Capitão Severino Rodrigues Santos.

Representando o Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro do Ar Jeferson Domingues de Freitas, o chefe do Subdepartamento de Administração (SDAD), Brigadeiro do Ar Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Junior, fez a entrega do Prêmio Controle do Espaço Aéreo a aluna Manuella Pitangueira Badaró, primeiro lugar na especialidade BCT. “Fico feliz de ser reconhecida porque estudamos bastante, nos esforçamos muito e cada prova é uma batalha vencida. É um curso difícil e ser reconhecido é gratificante, ainda mais pelo DECEA,” disse.

Manuella ainda passa por uma fase de estágio a partir de julho, no Destacamento de Controle do Espaço Aéreo Eduardo Gomes, em Manaus, até estar habilitada para exercer a função. “Eu amo controlar, eu vivo isto aqui, para mim é uma grande satisfação ser controladora de tráfego aéreo”.

De acordo com o Comandante da Escola de Especialistas, Brigadeiro do Ar Valdir Eduardo Tuckumantel Codinhoto, os alunos são preparados com habilidades básicas e deixam a escola aptos para atuar nas mais diversas atividades e organizações da Força Aérea Brasileira.

“Aqui chamamos de berço, mas é um grande celeiro. Nós temos uma característica que nos diferencia das outras Forças, que é formar os nossos especialistas no mesmo local. Eles têm a mesma formação básica, militar, se preparam juntos para trabalhar em equipe onde quer que estejam”, disse.

O oficial general explica que a escola não mostra resultado por atuação isolada de especialidades, já que todas são um conjunto harmônico de profissionais exercendo seu ofício, que somados e integrados resultam no produto final. “No caso do DECEA, o controle do espaço aéreo, não é feito somente pelo controlador, mas é um conjunto de todas as especialidades que atuam para que a aeronave que cruza o céu do Brasil receba a informação, a vigilância e apoio necessários à sua rota”.

Por esta razão, o Brigadeiro Codinhoto acredita que as 28 especialidades da escola têm papel fundamental no que chamou de todo eficaz. “Não é somente o controlador, o meteoro, a cartografia, mas todos, aparecendo ou não, atuam para que tudo aconteça na hora certa e na qualidade desejada”.

Por ano são realizados dois concursos, cada um com uma média de 30 mil inscritos. Depois de aprovados, os alunos passam dois na escola onde aprendem sobre sua especialidade e também sobre disciplina, respeito ao próximo, cidadania. Aprendem ainda a importância de honrar a bandeira e servir a Pátria, missão da Força Aérea Brasileira.

O Chefe da Divisão de Ensino da Escola, Tenente Coronel Eupepsi Henrique Pinto Barbosa Sá, ex-aluno da turma de 1987, revela que quando o sargento sai da escola está pronto para atender às necessidades da Força Aérea.

“Na escola eles aprendem que existem regulamentos. Também são capacitados dentro da escolha técnica que fizeram e são preparados para ser militares e cidadãos melhores. A Especialista desempenha um grande trabalho para preparar o melhor técnico para Força e o melhor militar para o Brasil”, apontou.

De acordo com o Diretor de Ensino da Aeronáutica, Major Brigadeiro do Ar Rui Chagas Mesquita, a premissa maior da DIRENS é a melhoria na qualidade do ensino, que se inicia pela análise dos padrões de desempenho das especialidades e na identificação das necessidades de adequação.

Em discurso na solenidade de formatura, o Major Brigadeiro Mesquita fez referência a participação de alunos, pais, familiares e instrutores na concretização de mais uma etapa vencida na formação dos novos militares.

“Hoje nesta memorável e bela cerimônia de conclusão de curso, celebramos com orgulho a transformação destes jovens idealistas em profissionais ávidos por manter acesa a chama da dedicação à Pátria, nas asas da Força Aérea Brasileira”, destacou.



As especialidades estão interconectadas e atuam de forma integrada, o trabalho de uma completa o trabalho da outra. Porém, cada uma possui especificidades e características singulares, vamos conhecer algumas destas distinções?

Cartografia Aeronáutica

Nesta especialidade, o profissional tem como atribuição a confecção de cartas aeronáuticas. Nos dois anos de curso, o aluno estuda topografia, trigonometria, geometria espacial, cartografia e fotointerpretação, geodésia, informações aeronáuticas, sensoriamento remoto e processamento digital da imagem.

Com a reformulação do currículo, no último semestre terão aulas sobre tratamento de dados geoespaciais, plano de zona de proteção e introdução ao geoprocessamento. Este último faz a análise de dados georreferenciados utilizando programas que usam informações cartográficas (mapas, cartas topográficas e plantas).

Durante o curso acontece o primeiro contato do profissional com os softwares que serão utilizados para subsidiar a produção de cartas visuais (VFR), instrumentos (IFR), e as cartas em rotas. Na formatura da turma 246° não houve formandos em Cartografia.

Informações Aeronáuticas

Já na especialidade AIS, foram incorporados a Força Aérea 14 novos Terceiros Sargentos. Este profissional é responsável por diversas tarefas de prestação de serviço de informações aeronáuticas, entre elas: a coleta, compilação de dados para atualização de publicações, preparo de boletins de informações prévias e planos de voo, além do manuseio e interpretação de vários tipos de cartas aeronáuticas.

Nos dois anos que passa na escola, o aluno cursa as seguintes matérias: inglês, reestruturação da FAB, cartas aeronáuticas, geografia básica e aplicada, navegação aérea, aeródromos, meteorologia, aeronaves, comunicações, tráfego aéreo e publicações AIS.

O aprendiz também tem a oportunidade de participar de simulações reais. Também tem contato com os sistemas que serão operados no dia a dia da profissão, como o Sistema Integrado de Gestão de Movimentos Aéreos (SIGMA) e o Sistema Automatizado de Sala AIS (SAIS).

A trajetória do primeiro colocado na especialidade Informações Aeronáuticas revela que persistência e foco são palavras de ordem para quem tem um ideal. Felipe Silva, 24 anos, entrou para a Força Aérea Brasileira pelo alistamento militar. Em 2013, serviu como soldado no Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), na Seção de Aeródromos.

“Comecei a conhecer a área de proteção ao voo, AIS, meteorologia e vi que era isto que queria para minha vida”, conta. O próximo passo foi começar a estudar para o concurso. Foram três tentativas até ser aprovado para o curso de formação de sargentos, na especialidade AIS. “Me identifiquei com a área, achei que era bem interessante, era isto que queria para mim. A área é gratificante porque temos um conhecimento bem abrangente da aviação”.

Felipe Silva, 1º Colocado em Informações Aeronáuticas


Comunicações

Felipe Matheus, 26 anos, primeiro colocado na especialidade Comunicações, tem uma experiência parecida. Ingressou na FAB em 2010, para servir na Base Aérea de Santos, cidade onde nasceu.  “Quando comecei não queria ficar, só que fui conhecendo o meio militar e acabei engajando”, lembra.

Atento às oportunidades, Matheus passou na prova para Soldado de Primeira Classe (S1), e depois no concurso para Cabo. Até que viu surgir a oportunidade para entrar na a Escola de Especialistas. “Eu escolhi BCO porque na Base Aérea onde trabalhava, esta era a especialidade que tinha chance de crescimento”.

Depois de dois anos de muita dedicação, não se arrepende da escolha. O profissional BCO pode exercer um vasto leque de atividades na carreira. A partir de 3 de julho, o Terceiro Sargento BCO se apresenta ao Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA II), em Curitiba (PR).

O militar especialista em comunicações trabalha com redes e sistemas de enlaces de telecomunicações fixas e móveis. Pode operar no solo ou em voo, sistemas e equipamentos de transmissão e recepção de dados e voz.

O profissional também está apto a identificar os equipamentos eletrônicos de detecção e localização, combate eletrônico e navegação, além de analisar, a bordo de aeronaves, a operação dos auxílios à navegação, de aproximação, de pouso e de radiocomunicações.


Felipe Matheus, 1º Colocado em Comunicações


Meteorologia

Umas das áreas mais sensíveis ao tráfego aéreo é a meteorologia, já que quando o “tempo fecha”, alguns aeroportos também podem ficar indisponíveis para pousos e decolagens. Na Escola de Especialistas, o técnico em meteorologia aprende a observar e descrever as condições meteorológicas, imprescindíveis para o planejamento das missões aéreas.

Para estar apto para as observações, nos dois anos de curso o aluno estuda física da atmosfera, informática básica, meteorologia geral, observação de superfície e de altitude, centros meteorológicos e serviço de controle do espaço aéreo.

No último semestre, a aluno é introduzido à prática de observação meteorológica e aprende a fazer o briefing meteorológico, sempre sob a supervisão dos instrutores. Nesta fase também aprende a interpretar imagens de radar e de satélites meteorológicos.

No Esquadrão Pantera, dez novos meteorologistas assumem função em organizações militares a partir de julho. Um deles, o primeiro colocado na especialidade, o jovem Alexandre Felipe da Silva, 25 anos, assume suas funções no Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER), no Rio de Janeiro.

Filho de pai militar e estudante do Colégio Militar do Rio de Janeiro, desde pequeno foi atraído pelos valores ao respeito, disciplina, hierarquia e valores. Na busca por um caminho profissional se deparou com a meteorologia e o estudo do clima, uma área com a qual sempre se identificou.

“Aprendi sobre a importância que este trabalho tem no tráfego aéreo, a segurança. Podemos fazer o bem, de maneira direta ou indireta, e isto traz uma satisfação pessoal pelo fato de podermos ajudar e influenciar na missão da Força Aérea”, contou.

Sobre a Escola de Especialistas demonstra gratidão ao reconhecer o quanto os instrutores contribuíram para torná-los profissionais meteorologistas, que os ensinaram tanto a parte técnica, quanto militar e de vida. “O preparo que temos aqui é muito grande, tanto no galpão quanto no estágio. Recebemos a experiência que os instrutores têm da carreira e com certeza seremos excelentes profissionais”.

Reconhecimento que Alexandre estende a EEAR. “Sou muito grato a Escola de Especialistas, ao galpão de meteorologia e, principalmente, a Deus por tudo que aprendi aqui, todas as experiências que tive, na parte técnica e militar. Com certeza isto mais me fazer ser um ser humano e profissional melhor”, finalizou.

Alexandre Felipe da Silva, 1º Colocado em Meteorologia

Controle de Tráfego Aéreo

Na especialidade BCT, o profissional faz o controle de tráfego aéreo sob sua jurisdição. Dependendo da área de controle de atuação, pode estabelecer procedimentos de subida e descida, prestar serviço de informação de voo ou fornecer informações meteorológicas. Também pode exercer a atividade de vigilância do espaço aéreo, controlar missões de defesa aérea ou auxiliar na coordenação das missões de busca e salvamento.

No currículo recentemente reformulado, aprendem sobre meteorologia, aeronaves, SAI, legislação, generalidades do tráfego aéreo, navegação básica e avançada, aeródromos, auxílios visuais, controle de aproximação, controle de área e fraseologia.

No curso também fazem prática simulada, onde parte dos alunos desempenha a função de piloto e outra parte controla. Desde a escola já utilizam o Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional (SAGITARIO), que será realidade quando assumirem quaisquer dos níveis de controle: torre, aproximação, ou controle de área.

A primeira colocada BCT, Manuella Pitangueira Badaró, descobriu sua paixão pelo controle de tráfego aéreo em uma palestra, ministrada por um controlador civil, sobre a profissão de controlador em uma das aulas da faculdade, em Salvador (BA), cidade onde nasceu.

Ao pesquisar sobre um curso de formação, descobriu a Força Aérea Brasileira e a Escola de Especialistas. Aprovada para o concurso, percebeu que a carreira escolhida trazia contentamento, antes desconhecido. “Controlar é realmente uma paixão”, relata.

Tanto assim, que para ela qualquer uma das áreas de controle é muito bem-vinda. “Aqui na escola aprendemos a fazer tanto o controle da torre, como o controle de aproximação e o controle de área. Não tenho preferência, controlar é gratificante. Me sentiria feliz desempenhando minha função em qualquer uma das áreas”.

Manuella Pitangueira Badaró, 1º Colocada em Controle de Tráfego Aéreo

 



Assessoria de Comunicação Social do DECEA
Reportagem: Gisele Bastos (MTB 3833 PR) – giselegclb@decea.gov.br
Fotos: Luiz Eduardo Perez Batista (RJ 201930 RF) – perezlepb@decea.intraer