Notícia Destaque

Representantes do DECEA participam de curso de Análise de Risco Operacional

O ponto focal do treinamento foi a relevância de se encontrar, no tocante às condições brasileiras, uma metodologia aplicada a cada instituição, mediante suas especificidades


publicado: 02/07/2019 15:14

 






Realizado na Secretaria de Aviação Civil (SAC), em Brasília/DF, o curso fomentou estratégias a serem implementadas para o cenário atual do aeroporto de Congonhas, em São Paulo -SP. 

O treinamento aconteceu no período de 24 a 28 de junho e teve como finalidade a padronização sobre Estudos Aeronáuticos. O projeto, advindo da U.S Trade and Development Agency, foi coordenado pelos Doutores em Engenharia Civil e de Pavimentos Manuel Ayres Júnior e Régis Carvalho.

A capacitação reuniu gestores nas áreas de Estatística, Engenharia, Física e Relações Internacionais e Tráfego Aéreo, todos representantes da Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), SAC, Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

Dentre os 17 discentes presentes, participaram do curso os Tenentes Especialistas em Controle de Tráfego Aéreo André Felipe Ribeiro Alves, assessor da Seção de Análise Técnica; Fábio Augusto Lima Rennó, adjunto da Seção de Tráfego Aéreo - ambos do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP); Eduardo Araújo da Silva, chefe da Seção de Coordenação e Controle de Aeródromos do Subdepartamento de Operações do DECEA.

Dentre os temas abordados, a Certificação de Aeroportos, com vistas à criação de um ambiente propício para baixar os riscos e garantir níveis de segurança aceitáveis no sítio aeroportuário, e a Adoção do Plano de Ações Corretivas (PAC), no qual o operador deve avocar a responsabilidade acerca da segurança operacional no aeroporto sob sua administração foram os mais ressaltados.

Foram explanadas, ainda, as principais não-conformidades encontradas nos processos que envolvem o tema Aeródromos, como: relevo ou objetos penetrando as superfícies limitadoras de obstáculos; faixa de pista e RESA (Runway End Safety Area - tamanho e/ou características do terreno) fora do padrão; separação pequenas entre pistas de pouso e de taxi; sinalização ou auxílios inadequados.

O ponto focal do treinamento foi a relevância de se encontrar, no tocante às condições brasileiras, uma metodologia aplicada a cada instituição, mediante suas especificidades, bem como ao certame a ser avaliado, sendo viável a checagem permanente acerca dos critérios utilizados pela Federal Aviation Administration (FAA) e pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), os quais seguem as pesquisas realizadas sobre as áreas de segurança dos aeroportos, conhecidas como Airport Cooperative Research Program (ACRP).

Outro método utilizado, de forma preventiva, é a análise sobre o risco de colisão, denominado Collision Risk Model (CRM), nos estudos inerentes aos procedimentos de navegação aérea de precisão. Com base nessa ferramenta, é possível estimar a probabilidade de colisão com obstáculos.

Foi apresentado o manual do Runway Safety Area Risk Analysis v.2 (RSARA2), software que determinará as probabilidades de uma ocorrência dentro dos limites da pista de pouso e decolagem.

O Estudo Aeronáutico, elaborado pelo operador de aeródromo, documenta a avaliação do impacto de não-conformidades em relação aos padrões estabelecidos no RBAC nº 154. Dessa forma, quantifica os riscos associados e estabelece soluções alternativas que alcancem um nível aceitável de segurança operacional, podendo conter uma ou mais análises de impacto sobre a segurança operacional (AISO) ou estudos de compatibilidade.

Dentre as vantagens, o estudo aeronáutico permite identificar soluções e/ou medidas mitigadoras de riscos e também os riscos mais críticos, melhorando a segurança operacional. Permite, também, decisões informadas (mas não serve como ferramenta pra provar o que é seguro, de acordo com as condições locais, o que é iminentemente crítico) e quais mitigações podem ser aplicadas para que as condições de segurança permaneçam aceitáveis.

Segundo o Tenente Eduardo Silva, a Análise Qualitativa de Risco é melhor aplicada quando no contexto da transdisciplinaridade. “Vejo claramente que o tema atravessa diversas áreas, mas é preciso que esse processo seja integrado, sendo imprescindível um pensamento organizador, portanto, complexo. Só assim conseguiremos uma espécie de unidade”, ratificou.

Outro tema explanado foi o acidente ou incidente aeronáutico devido à Excursão de Pista, caracterizada quando uma aeronave sai da superfície da pista do aeródromo durante uma operação de pouso ou de decolagem. Isso pode ocorrer de duas maneiras: por veer off (saída lateral) ou overrun (final da pista). Vários são os fatores contribuintes, que vão desde uma aproximação desestabilizada até condições impróprias de aderência da pista. Dessa forma, definir o Código de Pista é ação primordial para a certificação de um aeródromo.

O coordenador do programa apresentou o cenário de pesquisas acadêmicas, realizadas junto à FAA, as quais fomentou soluções para o gerenciamento e a mitigação dos riscos envolvendo acidentes e incidentes nos aeródromos. Vislumbrou-se, com isso, demonstrar que muitas metodologias podem ser aplicadas no âmbito dos aeroportos brasileiros.

“O curso propiciou a aquisição de conhecimentos probabilísticos e de estatística aplicados aos estudos aeronáuticos, e não há como desvincular essas ciências da nossa prática cotidiana”, afirmou o Tenente Rennó.

Para o Tenente Felipe, o treinamento, além de ter proporcionado a aquisição de conhecimentos necessários para a condução de Estudos Aeronáuticos e realização de Análises de Risco, possibilitou a troca de experiências com outros componentes da aviação civil nacional, o que facilitará a realização de futuros estudos no intuito de sanar as não-conformidades dos nossos aeródromos.

A entidade formadora foi a empresa americana Airport Safety Management Consultants, a qual tem realizado muitas ações junto aos estudos no aeroporto de Congonhas, e que mantém com o DECEA a parceria permanente em prol da capacitação continuada.