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Grupo Especial de Inspeção em Voo celebra 46 anos

publicado: 17/04/2019 15:22

 




Uma celebração diferente, inusitada e especial, tal como descrito no nome deste nobre esquadrão aéreo. Assim foi a cerimônia militar alusiva ao 46° aniversário do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV), realizado no Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), no Rio de Janeiro, no dia 16 de abril.



A solenidade foi presidida pelo Diretor-Geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Tenente-Brigadeiro do Ar Jeferson Domingues de Freitas, acompanhado do Comandante do GEIV, Major Aviador José Evânio Guedes Júnior.

A primeira parte da programação foi destinada às homenagens. Primeiro, em reconhecimento aos que devotaram um período de sua vida para construir fragmentos da história deste grupo de aviação: seus ex-comandantes.

Após incorporação da Bandeira Nacional, símbolo máximo de representação da nação brasileira, foi entregue a Medalha Militar por tempo de serviço, criada pelo Decreto n° 4328, em referência aos bons serviços prestados por militares das Forças Armadas.

Receberam a medalha de bronze, com passador de bronze, por mais de 10 anos de bons serviços prestados à Força Aérea Brasileira os seguintes militares: Primeiro Sargento Básico em Manutenção de Aeronaves Paulo Roberto de Andrade Valdieiro e o Primeiro Sargento Básico em Eletrônica Diogo Augusto de Souza Alves.

Em seguida foi entoada a canção do GEIV, letra do Primeiro Sargento Básico em Comunicações Robson Junqueira dos Santos e música do Primeiro Sargento Músico José Adilson Bandeira, lançada na comemoração do 60º aniversário da Inspeção em Voo no Brasil, com tripulação e aeronaves nacionais.

Conforme diz a última estrofe da canção:
“A missão a cumprir
E o voo a zelar
Sobre o céu do Brasil
Nosso lema é inspecionar”, em 46 anos de vida o Grupo Especial de Inspeção em Voo tem garantido a acuracidade dos auxílios a navegação aérea do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro.

Em seu discurso, o Comandante do GEIV, Major Evânio disse não ter palavras para expressar sua gratidão pela herança deixada pelos integrantes que fizeram parte da história do Grupo.

“Quarenta e seis anos depois, o GEIV permanece em pé sem que um único acidente na aviação nacional tenha tido como fator contribuinte qualquer falha, defeito ou mal funcionamento em algum dos mais de mil auxílios à navegação aérea que se juntaram ao solitário VOR, instalado no município fluminense de Duque de Caxias”.

Por fim, foram convidadas personalidades importantes para a inspeção em voo no Brasil, para composição de uma mesa de honra: Major Brigadeiro do Ar Fernando Luiz Verçosa Seroa da Motta, Major Brigadeiro do Ar Mayron dos Santos Pereira, Major Brigadeiro do Ar Normando Araújo de Medeiros, Brigadeiro Rogério Ribeiro Machado, Coronel Aviador Paullo Sérgio Barbosa Esteves, Capitão Mário Cândido da Silva, Suboficial Paulo Riguete e Suboficial Gilberto Bartholo da Silva.

Cada membro componente da mesa lembrou algumas histórias vividas em seu tempo no serviço ativo. “Quero agradecer a oportunidade de rememorar, a partir de determinada fase da vida vivemos de lembranças do passado. É muito importante para nós, embora diferente e inusitada, nos deixa a sensação de estaremos em uma conversa entre amigos”, iniciou o Major Brigadeiro Mayron.

Na sequência, o Major Brigadeiro Normando contou como surgiu parte do nome do GEIV: a palavra especial. Ele lembrou à época em que o Ministro da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Joelmir Campos De Araripe Macedo, pretendia reagrupar as atividades aéreas (meteorologia, serviço de informação aeronáutica e navegação aérea).

Quando foi constituída a Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Voo (DEPV), em 1972, haveria um organograma com a atividade de inspeção em voo. “Nos reunimos em um grupo de trabalho para criar uma unidade aérea, houve reação, até certo ponto coerente do Comando Geral do Ar, afirmando que este esquadrão aéreo de inspeção em voo deveria estar subordinado ao COMGAR”, explicou.

No entanto, continuou o Major Brigadeiro Normando, à semelhança do Grupo de Transporte Especial, subordinado ao gabinete do Ministro da Aeronáutica, o GT propôs uma segunda exceção. “Foi inserido o nome ESPECIAL na terminologia para convencimento do COMGAR, do Estado Maior e do Ministro da Aeronáutica”.

“Esta é uma pequena história de perseverança que nasceu na criação do grupo e continua at[é hoje nesta unidade aérea tão especial. Foi uma vitória nossa”, complementou o oficial general.

O mestre de cerimônias, Coronel Esteves, lembrou sua chegada ao grupo, missões com pilotos mais experientes e como era a prova de ILS (sistema de pouso por instrumentos), que tinha 300 questões. “Quem fez a prova mais rápido levou 6 horas e 40 minutos, fazer a prova em 7 horas e vinte minutos era considerado um recorde”, lembrou.

Ele recordou ainda que as missões eram realizadas em aproximadamente 12 dias, com inspeção de quatro auxílios, o que fazia com que todos ficassem totalmente engajados, não faltavam brincadeiras, uma forma de extravasar a tensão.

O Brigadeiro Rogério deu um depoimento emocionado, da ocasião em que como tenente, foi convidado a fazer uma apresentação para diversos alunos de vários cursos sobre tecnologias que trariam revolução.

Naquela época, não haviam recursos audiovisuais dos dias de hoje, apenas projetores, e os slides eram feitos com canetas coloridas e eram colocados em carrossel. Quando iniciou sua apresentação, mostrou um slide que representava imagens de instrumentos musicais sem ordem em cima de um palco, onde uma orquestra iria se apresentar.

A audiência era composta por oficiais mais antigos, de repente um militar interrompeu sua palestra, procedimento que não era previsto, e disse-lhe: “esta sua orquestra está bem desorganizada”. As palavras geraram risadas do público e muitos pensaram que seria o seu fim, antes de seu começo.

A imagem que se seguia mostrava a orquestra já se apresentando, quando houve silêncio. A seguir, o jovem tenente disse: “os senhores viram que não são os instrumentos, que não são os meios que determinam os resultados, eles podem até influenciar, mas o que faz algo acontecer são as pessoas, sem as pessoas talvez tudo fosse natureza morta ou um sentimento marginalmente biológico, não mais do que isso”.

E completou “entre nós, acho que esta percepção do trabalho em equipe, do preparo, da harmonia, do desbravamento, da ousadia de empreender e o sentimento de servir é vital. Então me coloco aqui como aquele que nunca foi, sendo sempre, sem jamais ter sido um modesto piloto inspetor honorário”, finalizou.

O Capitão Cândido também deu sua contribuição ao contar que o sentimento de pilotos e mecânicos de aeronaves sempre foi de que a tripulação do GEIV era a família de cada um. Ele lembrou de uma missão para Foz do Iguaçu (PR), quando por falta de recursos, toda a equipe pernoitou no mesmo quarto. “Havia interação entre nós e o sentimento de que todos eram imprescindíveis para a missão. Tínhamos comprometimento. Somos veteranos, tivemos perseverança e nos orgulhamos de como é o GEIV hoje, orgulho da nossa Força Aérea”, concluiu.

Assessoria de Comunicação Social (ASCOM) do DECEA
Reportagem: Gisele Bastos
Fotos: Fábio Maciel