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Drone sobrevoa aeródromo de Curitiba interrompendo operações aéreas por 37 minutos

A violação das regras no uso dos drones pode ser punida com multa, além da inibição temporária ou apreensão dos aparelhos.


publicado: 15/11/2019 17:41

 




Uma aeronave remotamente pilotada (RPA/DRONE) sobrevoando aeroporto é assunto sério para o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). A preocupação se deve por conta do impacto sobre a navegação aérea.

Foi o que aconteceu na manhã de hoje, 15 de novembro, em Curitiba (PR), quando o Aeroporto Internacional Afonso Pena teve suas operações suspensas devido à presença de um drone. Avistado sobre o aeródromo de Curitiba (SBCT), a RPA permaneceu nas proximidades, causando interrupção das operações de 16 aeronaves, por 37 minutos, das 8h48 às 9h25 local.

A situação causou transtornos a  voos que estavam chegando à Curitiba naquele momento. Algumas tiveram que esperar fora da Terminal Curitiba (TMA-CT), outra alternou para Joinville - SC.

A TMA-CT foi setorizada por um período de três horas, devido à saturação e alta complexidade no tráfego que a suspensão das operações causou.

Na Torre de Controle, aeronaves sofreram impacto direto pela interrupção das operações, aguardando acionamento nos hangares para decolagem. Outras aeronaves aguardaram a normalização das operações para a autorização de pushback.

Houve acúmulo de tráfego aéreo em Curitiba e aumento da complexidade até a normalização das operações.

A última posição de avistamento do drone, que causou esse transtorno na manhã curitibana, nesse feriado, foi sobre o centro da cidade de São José dos Pinhais, no setor W do aeroporto.

As operações só foram retomadas às 9h25, após coordenação com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeronáutica (Infraero).

De olho na segurança operacional, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) demonstra sua preocupação com o assunto e está à procura de um sistema que possibilite a detecção, identificação, localização e neutralização de drones que operem em áreas proibidas próximas de aeródromos brasileiros.

Já houve vários casos de drones avistados perto da aproximação final de aeroporto, como o que aconteceu em Congonhas, paralisando as operações de pouso e decolagem por aproximadamente duas horas. Mais de 40 voos foram afetados naquela ocasião e centenas de pessoas tiveram suas atividades prejudicadas. Os prejuízos econômicos também foram vultosos.

Recomenda-se que pilotos de RPAs/drones obedeçam as regras de uso no espaço aéreo e tenham consciência dos danos e riscos que podem causar aos usuários diretos e à toda sociedade.

O DECEA está buscando meios e métodos para impedir esse tipo de ocorrência que prejudica a navegação aérea e já aplica sanções administrativas aos pilotos que, de forma deliberada, colocaram em risco as pessoas e outras aeronaves em voo, utilizando sistemas de aeronaves remotamente pilotadas (RPAS). As multas estão sendo aplicadas pela Junta de Julgamento da Aeronáutica (JJAER), mas isso não tem sido o suficiente.

No âmbito penal, em voos próximos de aeroportos e helipontos, é possível valer-se do artigo 261 do Código Penal, que pune o autor com dois a cinco anos de reclusão por “expor a perigo aeronave ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar a navegação aérea”.

Outros dispositivos legais podem ser aplicados em outras situações, como em eventos esportivos e demais operações. A violação das regras no uso dos drones pode ser punida com multa, além da inibição temporária ou apreensão dos aparelhos.

Com o crescente aumento de usuários de drones, percebe-se a importância da obediência às regras para o uso do espaço aéreo brasileiro.  Alguns modelos mais modernos de drones emitem um alerta quando se aproximam de espaços aéreos de aeroportos ou até deixam de funcionar, mas isso não tem sido o suficiente para garantir a devida segurança dos voos de aeronaves tripuladas e com passageiros.

Existem, atualmente, tecnologias “antidrones” que podem impedir o seu voo sobre determinados locais protegidos e fazê-los retornar ao ponto de partida, ou ainda, paralisar a aeronave até que seja capturada. Tal tecnologia possibilita identificar as posições dos drones e de seus pilotos.

Mesmo sem os cadastros, ao ser capturada uma aeronave, todas as informações do piloto podem ser adquiridas, por meio das análises dos Logs de voo, por isso é importante estar de acordo com as regras.

Aqueles que deixam de observar o que é previsto para a utilização dos drones, colocam em risco a segurança de pessoas, aeronaves e propriedades. Além de colocar em risco os setores dos voos recreativos e dos voos profissionais.

Alguns pilotos não entendem a necessidade de obedecer o que está escrito, mas é preciso lembrar que, exatamente por atitudes como essas, diversos países baniram drones de seu espaço aéreo. O DECEA não quer que isso aconteça no Brasil. Entretanto, não abre mão da segurança do espaço aéreo brasileiro.

#sarpas #droneconsciente

 

Assessoria de Comunicação Social do DECEA
Reportagem: Daisy Meireles