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Conheça os bastidores da operação conjunta EXTEC-SAR e SAREX II

publicado: 27/07/2020 17:56

 




Na última semana foi concluído o Exercício Técnico (EXTEC) SAR e o Exercício Operacional de Busca e Salvamento – SAREX II, realizado entre os dias 13 e 23 de julho, na Ala 12 – Base Aérea de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro.

Durante a atividade foram realizadas simulações de acidentes reais, em terra ou no mar, onde foram feitos planejamentos de busca e salvamento para o treinamento das tripulações dos esquadrões aéreos, pilotos e observadores SAR, e as equipes de coordenação em terra.

O serviço de torre de controle de aeródromo foi integralmente prestado pela primeira torre remota (TWR) da América Latina, que entrou em operação em outubro passado. Foi a estreia da TWR de Santa Cruz em um grande exercício militar, que reuniu o Comando de Preparo (COMPREP) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA).

A partir da torre remota, os controladores de tráfego aéreo têm uma visão de 360 graus da área a ser controlada, graças a estrutura de 16 câmeras fixas, na área externa, interligadas a 14 monitores de 55 polegadas de alta definição.

Uma das atividades do EXTEC SAR e SAREX II foi a visita dos participantes do exercício que, na ocasião, tiveram uma palestra com o Comandante do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Santa Cruz (DTCEA-SC), Capitão Aviador Rafael Santos Viana, sobre o funcionamento e as peculiaridades da torre de controle remota.

Entre os pontos abordados foi feito um histórico sobre sua a implantação, funcionalidades, estrutura física, sala de briefing, sistema de câmeras e sobre a operação propriamente dita. “Além os convidados havia alguns controladores de tráfego aéreo, que ficaram impressionados com a tecnologia da torre remota. Eles não tinham noção de como era o sistema de fornecimento das imagens, que acharam não apenas interessante, mas também funcional”, destacou o Capitão Viana.

Primeira vez no cenário operacional

Entre os 250 militares envolvidos no exercício, houve a participação de militares da Marinha do Brasil, além de alguns estreantes, tanto da coordenação dos Centros de Coordenação de Salvamento (SALVAERO e SALVAMAR) quanto na execução dos voos de busca pelos esquadrões aéreos.

É o caso do Terceiro Sargento Básico em Comunicações (BCO), Fábio Ramos. Embora recém-chegado aos treinamentos de Busca e Salvamento, Ramos acumula 10 anos na Força Aérea Brasileira. Ele começou como soldado na Base Aérea de Santos e fez cursos para ascensão na carreira militar, passando para Soldado de Primeira Classe da Aeronáutica (S1) e depois para Cabo.

Em 2017, ingressou na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), na especialidade Comunicações (BCO). No final do ano seguinte se formou e foi transferido para o 3º Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), em Recife.

No CINDACTA III surgiu a oportunidade de fazer o curso SAR 03, próprio para a sua especialidade. Dois meses depois recebeu o convite para trabalhar no SALVAERO Recife, onde desempenha a função de operador de estação-rádio desde novembro de 2019.

Nas missões SAR, a função do BCO é de operar os equipamentos de rádio HF, manter contato com as aeronaves que estão efetuando os padrões de buscas, fornecendo e colhendo informações, em tempo real. Também compete ao BCO cuidar dos documentos para acionar os meios – esquadrões aéreos – e, ainda, informar os órgãos que estão envolvidos na missão.

Para o Terceiro Sargento Ramos sua participação neste exercício operacional foi um momento ímpar. “No dia a dia do trabalho, não temos a oportunidade de vivenciar a operação como um todo, com os esquadrões de voo, com todos os órgãos reunidos para fazer uma simulação próxima do real. Acho que é um ganho operacional gigantesco”, contou.

O militar se refere ao fato de ter participado de palestras ministradas por pilotos de esquadrões de busca e salvamento, que explicaram sobre as funcionalidades tecnológicas das aeronaves, além de acompanhar in loco um destes voos de resgate.

“Como órgão regional de coordenação eu não tinha ideia da operação na prática, das dificuldades que o observador SAR tem, do trabalho em equipe da tripulação e da coordenação entre eles. Agora entendo, de fato, como funciona o sistema, tanto da parte de coordenação como da parte da operação”, complementou.

Para Ramos viver a simulação de busca e salvamento na prática trouxe ganho de experiência e de consciência situacional do Sistema de Busca e Salvamento Brasileiro (SISSAR). “Estou saindo daqui com outra visão. Para mim o maior ganho foi justamente a interação com os esquadrões”, pontuou.

Do outro lado do exercício

O Segundo Tenente Aviador Estevan Langone Baptista, também principiante neste tipo de exercício, chegou ano passado ao Terceiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (3º/8º GAV), Esquadrão Puma, localizado em Santa Cruz.

Piloto de asas rotativas, durante a EXTER SAR executou o treinamento de convés, no qual é feito o resgate de uma pessoa que esteja embarcada. A manobra de aproximação do helicóptero é feita com o navio em alto mar. O homem de resgate desce por guincho até o navio onde faz o primeiro atendimento a vítima.

Enquanto o navio está se locomovendo, o helicóptero acompanha com uma velocidade relativa zerada em relação ao navio. Quando o homem de resgate se aproxima da vítima, sinaliza se existem condições de içar a pessoa para o helicóptero pelo guincho ou não.

Em caso de politraumatismo, por exemplo, é necessário descer mais homens de resgate e uma maca. “Feito o atendimento a pessoa é içada para o helicóptero, que segue para terra”.

O Tenente explica que o grau de complexidade desde voo é maior porque o navio está em movimento. “Temos que acompanhar o navio, manter uma velocidade relativa, voando bastante baixo. O navio por si só tem várias barreiras, como antenas, etc, então é um voo bem mais complicado do que fazer o mesmo resgate em terra ou resgatar uma pessoa que esteja no mar”.

Em sua especialização na aviação de asas rotativas na Base Aérea de Natal (RN), o Tenente Langone fez o curso básico de busca e salvamento. “Escolhi helicóptero porque era a missão que me identificava, ser relacionada a busca e salvamento. A possibilidade de ajudar uma pessoa, realizar um salvamento, isto sempre chamou minha atenção,” contou.

Após realizar dois voos de resgate simulado durante a EXTEC SAR, o piloto agora está habilitado a realizar esta manobra. “Este tipo de acionamento, a solicitação de resgates de embarcados acontece de maneira recorrente, mas por não ter feito este treinamento antes, não era habilitado para este tipo de missão”, revelou.

Este é o principal objetivo dos exercícios simulados, treinar militares na coordenação e na execução das missões de busca e salvamento. “Me sinto mais preparado, pronto para cumprir a missão que me for designada, isto acontece quando se ganha mais confiança em relação a pilotagem e se sente cada vez mais preparado”, concluiu.

Para o Comandante do 2º Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2°/10° GAV), Esquadrão Pelicano, com sede em Campo Grande (MS), Tenente-Coronel Aviador Leonardo Machado Guimarães, o Exercício Técnico SAR trouxe a oportunidade de formar e adestrar pilotos e tripulantes nas missões de busca no mar e lançamento de bote.

No caso de um voo sobre o oceano, os tripulantes são submetidos a algumas peculiaridades como o deslocamento dos alvos devido às correntes marítimas e ao vento, além do efeito de espelhamento da superfície, em função do sol e as dificuldades de orientação espacial, provocada pela falta de referências.

Durante o exercício, foram treinados militares em formação de voo, exclusivamente na missão de busca no mar, enquanto para outros foi realizada manutenção operacional. No entanto, também foi possível realizar a formação de operadores dos sistemas que compõem a aeronave SC-105.

Projetada exclusivamente para busca e salvamento, a aeronave possui uma série de sensores, entre eles, o radar de abertura sintética, câmeras de alta definição e um sistema eletro-óptico de busca de imagem através do espectro infravermelho, que permite detectar, por meio do calor, uma aeronave acidentada à noite ou uma pessoa no mar.

“Em função de sua localização geográfica, no centro do país, o Esquadrão Pelicano necessita de um exercício como esses para atingir o máximo de sua operacionalidade, já que pode ser acionado para missões tanto em área continental, quanto marítima”, descreveu o Tenente-Coronel Machado. Na sua opinião, outro ponto bastante positivo do exercício foi a troca de experiências entre as unidades aéreas, que trouxe um incremento na doutrina e um estímulo ao desenvolvimento de novas capacidades.

Assessoria de Comunicação Social
Reportagem: Gisele Bastos
Fotos: Luiz Eduardo Perez
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