BRASIL

Para frente é que se voa!

Contratado para evitar colisões entre aeronaves na pista do pequeno Aeroporto de Saint Louis, no Estado do Missouri, Estados Unidos, o jovem Archie William League saiu-se com uma regra de orientação básica às aeronaves que por lá evoluíam. Sua ferramenta de “controle de tráfego aeronáutico” era simples: quando empunhada, a bandeira vermelha mandava a aeronave parar; já a quadriculada, orientava o piloto a seguir.

Era 1929 e o “homem das bandeiras” – controlador de tráfego do aeroporto – certamente tinha consciência de que no primeiro momento em que alguns aviões a mais resolvessem taxiar sobre a pista ao mesmo tempo seu sistema provavelmente entraria em colapso.

Mas o que ele não conseguiria sequer supor do alto de sua torre de controle improvisada – que consistia numa cadeira de praia sob um guarda-sol, afixado a um carrinho de mão para aliviar o calor do verão – é até que ponto chegaria a magnitude de abrangência da então incipiente prestação dos serviços de navegação aérea. Atividade, ainda hoje desconhecida de muitos, mas que esconde em sua intangibilidade uma complexa síntese de especializações, pesquisas, conhecimentos, tecnologias e estratégias.

Oitenta anos depois, o provimento dos chamados serviços de navegação aérea mudou muito. Tornou-se um imperativo estratégico de tal amplitude que é hoje absolutamete indispensável a qualquer Estado nacional, alcançando um grau de influência socioeconômica, de certo modo, incomensurável.

Não havia como ser diferente. De lá pra cá, o número de movimentos aéreos se multiplicou em todo o globo. Atualmente, só no Brasil, mais de 60 milhões de passageiros cruzam os céus do País por ano em voos regulares; quando somados à aviação de transporte de carga e à aviação militar, esses números dão origem a registros ainda mais expressivos. Segundo dados do Anuário de Tranporte Aéreo de 2009, editado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), se somássemos todos os percursos efetivamente voados no mesmo ano pelas aeronaves de companhias aéreas brasileiras – tráfego doméstico e internacional – teríamos pela frente uma rota de nada mais que 715 milhões de quilômetros. Nada mal se consideramos que Neil Amstrong precisou de pouco mais de 380 mil para ir à Lua.

Como se não bastasse, o crescimento do fluxo de tráfego aéreo observado no mundo inteiro vem se acentuando ainda mais nos últimos anos e as expectativas para o futuro já se debruçam sobre gráficos de curvas exponenciais ainda mais surpreendentes. Para as próximas décadas, algumas estimativas já falam na triplicação dos movimentos aéreos mundiais.